Cola rápida: o que era e por que foi proibida
Cola rápida era uma cola com solventes voláteis que os jogadores passavam na borracha antes de cada partida. O solvente inchava a esponja e deixava a borracha mais elástica, com mais velocidade e efeito. A ITTF proibiu colas com compostos orgânicos voláteis por questões de saúde: a regra foi decidida em 2007 e passou a valer no adulto em setembro de 2008, depois dos Jogos de Pequim.
Neste artigo
Quem jogou tênis de mesa nos anos 1990 lembra do cheiro forte nos ginásios antes das partidas. Era a cola rápida: jogadores colando e recolando as borrachas minutos antes de entrar na mesa, em busca de alguns quilômetros por hora a mais na bola.
A cola rápida mudou o jogo por quase três décadas e acabou proibida. Veja o que ela era, por que funcionava e o que a substituiu.
O que era a cola rápida
A cola rápida (em inglês, speed glue) era uma cola à base de solventes voláteis, parecida com as colas de borracha usadas para remendar pneus de bicicleta. O jogador passava a cola na esponja da borracha e na madeira e colava tudo pouco antes de jogar.
O truque estava no solvente. Ao penetrar na esponja, ele fazia a esponja inchar levemente. Como a borracha de cima não inchava na mesma proporção, ficava esticada, sob tensão, como uma cama elástica. O resultado:
- Mais velocidade: a bola saía da raquete com efeito "catapulta".
- Mais efeito: a borracha esticada agarrava melhor a bola.
- Som característico: um estalo alto a cada golpe.
O efeito durava poucas horas, enquanto o solvente evaporava. Por isso os profissionais recolavam a borracha antes de cada partida, às vezes mais de uma vez por dia.
Como a cola rápida surgiu
A descoberta costuma ser atribuída ao húngaro Tibor Klampár, que teria percebido, no fim dos anos 1970, que a borracha ficava mais rápida logo depois de colada. Nos anos 1980 a técnica se espalhou e virou padrão no alto nível. O jogo, que já era rápido por causa da esponja, acelerou ainda mais. A evolução do equipamento está em história da raquete.
Por que a ITTF proibiu
O motivo principal foi a saúde. Os solventes das colas rápidas são compostos orgânicos voláteis (VOC, na sigla em inglês). Respirar esses vapores com frequência, em ginásios fechados, preocupava médicos e dirigentes, principalmente pelos atletas jovens. Também havia riscos de manuseio, porque os produtos eram inflamáveis.
A proibição veio em etapas:
| Quando | O que aconteceu |
|---|---|
| 2007 | A ITTF decide banir colas com compostos orgânicos voláteis |
| Janeiro de 2008 | Começam os testes nos torneios juvenis |
| Setembro de 2008 | A proibição passa a valer para o adulto, depois dos Jogos de Pequim |
Pequim 2008 foi a última Olimpíada em que a cola rápida foi permitida. Desde então, os principais torneios internacionais fazem controle de raquete com aparelhos que detectam vapores de solvente na borracha. Raquete reprovada não pode ser usada.
O que os jogadores usam hoje
Com o fim da cola rápida, a indústria encontrou outros caminhos:
- Colas à base de água: são as únicas permitidas hoje. Não têm o efeito da cola rápida, apenas prendem a borracha. Veja como usar em como colar borracha.
- Borrachas com tensor de fábrica: a tensão que a cola rápida criava passou a ser "embutida" na fabricação. Muitas borrachas modernas são vendidas como tensor ou pré-tensionadas. Veja os tipos em borracha de tênis de mesa.
- Boosters: óleos passados na esponja para imitar o efeito da cola. As regras da ITTF proíbem qualquer tratamento físico ou químico na borracha depois da fabricação, então o uso de boosters vai contra as regras, mesmo sendo difícil de detectar.
O que mudou no jogo
Sem a cola rápida, e com a bola de 40 mm e depois a de plástico, o jogo de alto nível ficou um pouco menos explosivo. Os jogadores passaram a depender mais de técnica e força física para gerar velocidade, e menos do "empurrão" da borracha. As regras atuais de equipamento estão em regras da raquete.
Para quem joga no clube, a mudança também foi boa: menos cheiro de solvente, menos gasto com cola e borrachas que duram mais entre uma colagem e outra.
Perguntas frequentes
O que é cola rápida no tênis de mesa?
Era uma cola com solventes voláteis que fazia a esponja inchar e esticava a borracha, deixando a raquete mais rápida e com mais efeito por algumas horas.
Por que a cola rápida foi proibida?
Por causa da saúde dos atletas: os solventes eram compostos orgânicos voláteis, prejudiciais quando inalados com frequência, e também inflamáveis.
Quando a cola rápida foi proibida?
A ITTF decidiu a proibição em 2007. Os testes começaram nos torneios juvenis em janeiro de 2008, e a regra passou a valer para o adulto em setembro de 2008.
Qual cola usar no tênis de mesa hoje?
Cola à base de água própria para tênis de mesa, sem solventes voláteis. É a única permitida em competições.
Booster é permitido no tênis de mesa?
Não. As regras proíbem qualquer tratamento na borracha depois da fabricação, e os boosters entram nessa proibição.