A regra do saque escondido: história e polêmica
Saque escondido é aquele em que o recebedor não consegue ver a bola até o contato com a raquete, porque o corpo, a cabeça ou o braço livre de quem saca estão na frente. Desde 1º de setembro de 2002, a regra da ITTF exige que a bola fique visível o tempo todo e que o braço livre saia do espaço entre a bola e a rede logo depois do lançamento.
Neste artigo
Durante décadas, os melhores sacadores do mundo tinham uma arma que hoje é proibida: esconder a bola na hora do contato. O adversário via o lançamento, via a raquete se mexer, mas não via o instante em que a borracha tocava a bola. Sem ver o contato, ler o efeito virava loteria.
A regra do saque escondido mudou isso em 2002. Neste artigo você entende o que ela diz, por que foi criada, como o árbitro decide e por que, mais de vinte anos depois, o assunto ainda rende discussão em torneios grandes.
O que é saque escondido
Saque escondido é o saque em que o recebedor não consegue ver a bola em algum momento entre o lançamento e o contato com a raquete. O que tapa a visão pode ser:
- o braço livre (o que lançou a bola), que fica parado na frente da bola;
- o ombro ou o tronco, quando o sacador gira o corpo;
- a cabeça, quando o jogador se curva sobre a bola;
- em duplas, o parceiro de quem saca.
O motivo de tudo é simples: o efeito do saque se lê olhando o contato. Para entender por que isso importa tanto, vale ler o guia de como ler o efeito.
O que diz a regra hoje
A regra do saque está nas Leis do Tênis de Mesa da ITTF (o item 2.6). Os pontos que tratam do saque escondido são estes:
- Do início do saque até o contato, a bola tem de ficar acima do nível da mesa e atrás da linha de fundo.
- A bola não pode ser escondida do recebedor por quem saca, pelo parceiro de duplas ou por nada que eles vistam ou carreguem.
- Assim que a bola é lançada, o braço livre e a mão livre precisam sair do espaço entre a bola e a rede. Esse espaço vai da bola até a rede e sobe sem limite.
- É responsabilidade de quem saca mostrar que o saque é legal. Se o árbitro não estiver satisfeito, pode marcar falta.
Pela regra, quando o árbitro tem dúvida sobre a legalidade de um saque, ele pode, na primeira vez na partida, interromper o jogo e advertir o sacador. Depois disso, qualquer saque que não seja claramente legal é falta e vale ponto para o recebedor. As demais exigências, como o lançamento de 16 cm, estão explicadas em regras do saque.
Como era antes de 2002
As regras de saque foram ficando mais rígidas aos poucos. Primeiro vieram exigências sobre o lançamento: a bola tinha de sair parada da palma aberta e subir quase na vertical, para impedir que o jogador girasse a bola com os dedos. Mas nada impedia que, depois de lançar, o jogador deixasse o braço livre na frente da bola ou virasse o corpo para esconder o contato.
Nos anos 1990, com as borrachas e colas modernas gerando muito giro, os saques escondidos ficaram muito difíceis de devolver. Muitos pontos acabavam no saque ou na devolução, e as trocas ficavam curtas. Para o público, era difícil entender o que estava acontecendo.
A mudança de 2002
A ITTF passou por um pacote de mudanças para deixar o esporte mais atraente para o público e para a TV:
| Ano | Mudança |
|---|---|
| 2000 | Bola de 40 mm no lugar da de 38 mm |
| 2001 | Sets de 11 pontos no lugar de 21 |
| 2002 | Proibido esconder a bola no saque |
A regra do saque escondido entrou em vigor em 1º de setembro de 2002. Na época, o próprio presidente da ITTF a chamou de último passo importante da modernização do esporte. A ideia era dar ao recebedor uma chance justa de ver o que o sacador fazia. Você pode ler sobre as outras duas mudanças em por que o tênis de mesa mudou para 11 pontos e na história da bola.
Por que a regra ainda gera polêmica
No papel, a regra é clara. Na prática, julgar é difícil:
- O árbitro não está na posição do recebedor. Ele fica ao lado da mesa e precisa imaginar o que o recebedor vê.
- Tudo acontece em frações de segundo. O contato do saque dura muito pouco, e o corpo do sacador se mexe o tempo todo.
- A cabeça e o ombro são zonas cinzentas. Muitos sacadores de alto nível se curvam muito sobre a bola, e decidir se a cabeça tapou o contato é uma questão de ângulo.
Por isso, durante anos, jogadores e técnicos reclamaram que a regra era pouco aplicada no alto nível. Mais recentemente, grandes eventos passaram a usar revisão por vídeo em alguns lances. No Mundial de 2025, por exemplo, houve saques marcados como escondidos e confirmados no replay, porque a cabeça do sacador tapava a visão do recebedor.
Como sacar sem esconder a bola
- Tire o braço livre logo. Lançou, mova o braço para o lado ou para trás, longe da linha entre a bola e a rede.
- Não feche o ombro demais. No saque de forehand, o ombro livre não pode ficar entre a bola e o adversário.
- Contato ao lado do corpo, não atrás. Bata na bola num ponto que o recebedor consiga enxergar.
- Esconda o efeito com o movimento, não com o corpo. Os melhores saques de hoje enganam pela velocidade do pulso e pelos movimentos falsos depois do contato, o que é permitido.
Perguntas frequentes
O que é saque escondido no tênis de mesa?
É o saque em que o recebedor não consegue ver a bola até o contato, porque o braço livre, o ombro, a cabeça ou o parceiro de duplas estão na frente. Pelas regras da ITTF, é falta.
Quando o saque escondido foi proibido?
A regra que proíbe esconder a bola e obriga a tirar o braço livre da frente entrou em vigor em 1º de setembro de 2002.
O braço livre pode ficar na frente da bola no saque?
Não. Assim que a bola é lançada, o braço e a mão livres precisam sair do espaço entre a bola e a rede.
O árbitro pode avisar antes de marcar saque ilegal?
Pela regra, se tiver dúvida, o árbitro pode advertir o sacador uma vez na partida. Depois disso, saque que não for claramente legal é falta.
Em jogo casual, saque escondido vale?
Não há árbitro, então vale o combinado. Mas o justo é seguir a regra oficial: bola visível do lançamento até o contato.