Japão no tênis de mesa: da esponja aos dias de hoje
O Japão estreou no Mundial em 1952 e venceu logo de cara com Hiroji Satoh, que usava uma raquete de esponja. Nos anos 1950 e 1960 o país dominou o esporte, com títulos mundiais de simples e por equipes no masculino e no feminino. Depois perdeu espaço para a China, mas voltou ao topo nas últimas décadas e ganhou seu primeiro ouro olímpico em Tóquio 2020, nas duplas mistas.
Neste artigo
Quando se fala em potências do tênis de mesa, a China vem primeiro. Mas antes dela houve o Japão, o país que mudou o equipamento do esporte, ganhou quase tudo nos anos 1950 e, depois de um longo período atrás dos chineses, voltou a ser o principal rival deles.
Este é um resumo da história do tênis de mesa japonês: a revolução da esponja, a era de ouro, a queda, a volta por cima e o que torna o Japão tão forte hoje.
1952: a raquete de esponja chega ao Mundial
O Japão disputou o Campeonato Mundial pela primeira vez em 1952, em Bombaim (hoje Mumbai), na Índia. E ganhou o simples masculino logo na estreia, com Hiroji Satoh.
O detalhe que entrou para a história foi a raquete. Satoh jogava com empunhadura caneta e uma raquete coberta por uma camada grossa de esponja, numa época em que quase todos usavam raquetes de madeira com borracha fina de pinos, as chamadas "hardbat". A esponja deixava a bola mais rápida e mais silenciosa, e os adversários não conseguiam se adaptar.
A partir daí o equipamento do esporte nunca mais foi o mesmo. A esponja virou padrão e, com o tempo, foi regulamentada. Essa virada é contada em detalhes na história da raquete.
Anos 1950 e 1960: a era de ouro japonesa
Depois de Satoh, o Japão dominou o tênis de mesa por mais de uma década:
| Prova | Títulos mundiais do Japão no período |
|---|---|
| Simples masculino | Ichiro Ogimura (1954 e 1956), Toshiaki Tanaka (1955 e 1957), Nobuhiko Hasegawa (1967), Shigeo Itoh (1969) |
| Simples feminino | Tomi Okawa (1956), Fujie Eguchi (1957), Kimiyo Matsuzaki (1959 e 1963), Naoko Fukatsu (1965), Sachiko Morisawa (1967), Toshiko Kowada (1969) |
| Equipes masculinas | 1954, 1955, 1956, 1957, 1959, 1967 e 1969 |
| Equipes femininas | 1952, 1954, 1957, 1959, 1961, 1963, 1967 e 1971 |
Ichiro Ogimura é o nome mais marcante da época. Além dos títulos como jogador, virou técnico, ajudou a difundir o esporte e, em 1987, assumiu a presidência da ITTF, cargo que ocupou até 1994.
O estilo japonês desse período era de ataque: empunhadura caneta, muito jogo de pernas e forehand forte de qualquer lugar da mesa. Tomi Okawa, campeã em 1956, foi a primeira asiática a vencer o simples feminino do Mundial.
Anos 1970 e 1980: a China assume
Em 1959, a China ganhou seu primeiro título mundial, com Rong Guotuan, e nos anos 1960 passou a dominar o esporte. O equilíbrio de forças mudou. O Japão ainda teve campeões mundiais de simples nos anos 1970, como Mitsuru Kohno (1977) e Seiji Ono (1979), mas foi perdendo terreno. Por anos, o país ficou atrás não só da China, mas também da Suécia e de outras seleções europeias. Para entender o lado chinês dessa história, leia por que a China domina o tênis de mesa.
A volta por cima
A recuperação japonesa foi lenta e planejada. Alguns marcos:
- Ai Fukuhara virou celebridade ainda criança e ajudou a popularizar o esporte no país.
- Jun Mizutani ganhou a primeira medalha olímpica de simples do Japão, o bronze no Rio 2016, ano em que a equipe masculina foi prata.
- As mulheres voltaram a brigar por medalhas: prata por equipes em Londres 2012, Tóquio 2020 e Paris 2024.
- Em Tóquio 2020, disputado em 2021, Jun Mizutani e Mima Ito venceram a final de duplas mistas contra a dupla chinesa e deram ao Japão seu primeiro ouro olímpico no tênis de mesa.
- Em 2018 começou a T.League, liga profissional japonesa com clubes masculinos e femininos.
Nos Mundiais por Equipes de 2026, em Londres, Japão e China fizeram as duas finais, no masculino e no feminino. A China venceu as duas, mas a final feminina foi decidida por 3 a 2.
Por que o Japão voltou a ser forte
- Formação precoce: muitos atletas japoneses começam muito cedo e jogam competições nacionais desde crianças.
- Estilo agressivo e rápido: a escola japonesa atual valoriza jogar perto da mesa, pegar a bola cedo e acelerar as trocas, principalmente com o backhand.
- Competição interna: campeonatos nacionais fortes e uma liga profissional dão ritmo de jogo.
- Intercâmbio: muitos jogadores passaram temporadas em ligas europeias e treinaram com estrangeiros.
Entre os nomes da geração recente estão Tomokazu Harimoto, que ganhou torneios do circuito mundial ainda adolescente (veja o perfil de Tomokazu Harimoto), Mima Ito, Hina Hayata, bronze no simples feminino em Paris 2024, e Miwa Harimoto, irmã de Tomokazu.
Japão e Brasil
O tênis de mesa brasileiro tem forte ligação com a imigração japonesa. Vários dos nomes mais importantes do esporte no país, como Hugo Hoyama e Cláudio Kano, são descendentes de japoneses, e clubes da colônia foram berço de muitos atletas. Essa história está em tênis de mesa no Brasil.
Perguntas frequentes
O Japão é bom no tênis de mesa?
Sim. O Japão foi a maior potência do esporte nos anos 1950 e 1960 e hoje é um dos principais rivais da China, com medalhas olímpicas e mundiais no masculino e no feminino.
Quem foi o primeiro campeão mundial japonês de tênis de mesa?
Hiroji Satoh, em 1952, no primeiro Mundial disputado pelo Japão. Ele usava uma raquete com esponja, novidade na época.
O Japão já ganhou ouro olímpico no tênis de mesa?
Sim. Jun Mizutani e Mima Ito venceram as duplas mistas em Tóquio 2020, o primeiro ouro olímpico do Japão no esporte.
Por que tantos mesatenistas brasileiros têm origem japonesa?
Porque a imigração japonesa trouxe o esporte para clubes da colônia, que formaram muitos atletas. Hugo Hoyama e Cláudio Kano são exemplos.
Qual a liga profissional de tênis de mesa do Japão?
A T.League, criada em 2018, com equipes masculinas e femininas.